Aliança Internacional de Jornalistas
O que é a Aliança?
 
 
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O que é a Aliança?

Preâmbulo

Preâmbulo

A aliança internacional de jornalistas é uma rede informal apoiada pela Fondation Charles Léopold Mayer pour le Progrès de l’Homme (Fundação Charles Léopold Mayer para o Progresso do Homem, FPH), no contexto do desenvolvimento de “alianças cidadãs”. O objetivo geral deste grupo, aberto e construtivo, é trabalhar sobre a temática da “responsabilidade”. Para isso, oferece aos profissionais da informação um espaço, uma rede, uma dinâmica para que jornalistas e cidadãos no mundo inteiro possam comungar em suas reflexões, suas experiências, suas propostas concretas para reformar as práticas. Esta aliança ambiciona coligar os vários atores envolvidos na produção da informação para produzir inteligência coletiva, e trabalhar concretamente para podermos assumir uma responsabilidade ao mesmo tempo pessoal e profissional, individual e coletiva.

Histórico No começo de 1994, a Fundação Charles Léopold Mayer para o Progresso do Homem lançou uma dinâmica coletiva com o titulo de “Aliança para um mundo responsável, plural e solidário”. Tal iniciativa internacional, baseada na busca permanente de propostas concretas de mudança, estruturou-se em torno de temáticas, lugares geográficos e ambientes sócio-profissionais. O momento crucial desta dinâmica foi a realização, no final de 2001, de vários encontros continentais e da Assembléia Mundial dos Cidadãos, que gerou uns sessenta Cadernos de Propostas, a “Carta das responsabilidades humanas” e a Agenda para o século 21. Entre os grupos sócio-profissionais, houve uma aproximação com o mundo da mídia para esboçar um ‘colégio de jornalistas’, em ocasião de duas iniciativas, no final dos anos 90. A primeira na Índia, com a criação da rede “Transforming World”, composta por jornalistas editorialistas, na maioria asiáticos, interessados em se expressar sobre desafios comuns ; a outra na França, com a organização de duas reuniões de trabalho com uns quinze jornalistas, para analisar as lógicas institucionais que prendem e seguram a mídia e os próprios jornalistas e enunciar alguns princípios de responsabilidade. Em ocasião do Fórum Social Mundial em Mumbai em 2004, o sucesso do seminário sobre a responsabilidade dos jornalistas, organizado em colaboração com a FPH, deixou clara a aspiração dos profissionais da mídia de levar adiante o dialogo. Foi naquela ocasião que achamos que havia ali o embrião de uma verdadeira aliança entre jornalistas. Em agosto de 2004, um grupo de 5 pessoas na França, na Índia, no Brasil e nos Estados Unidos lançou a aliança internacional de jornalistas.

Natureza da Initiativa

1. Implantação geográfica O território da aliança de jornalistas é internacional. Do ponto de vista temático, além das especificidades nacionais e regionais, a aliança organiza um movimento de pensamento e reflexão comuns. Do ponto de vista geográfico, foram constituídos uns ‘pólos’ ou ‘espaços regionais’ onde havia grupos de jornalistas aspirando participar do movimento. Até agora, há pólos : na França, Itália, Espanha e Suíça (pólo Europa) no Brasil (pólo América do Sul) na Índia (pólo Ásia) nos EUA (pólo América do Norte), atualmente sem animador.
2. Natureza A aliança é uma convergência de jornalistas (qualificamos de jornalistas todos aqueles que se reconhecem como tais, mesmo sem ter necessariamente o status oficial), representando várias formas de exercer a profissão (mídia : imprensa escrita, rádio, televisão, etc.), preocupados com a responsabilidade que a missão de informar comporta. Eles pretendem intervir em questões como :
- as condições do exercício da profissão, isto é, as condições para coletar, tratar e transmitir a informação ;
- a ligação com o público destinatário da informação, na busca de um novo contrato social ;
- o relacionamento entre jornalistas e proprietários da mídia. A aliança aborda assim alguns questionamentos comuns entre os profissionais do conhecimento, levantados nas alianças entre servidores, pesquisadores e universitários.
3. Participantes Os participantes da aliança são todas as pessoas interessadas e motivadas pelas temáticas participantes dos grupos abaixo :
- os jornalistas, entre os quais aqueles que originaram esta iniciativa ;
- os demais atores da produção de informação (por ex. : fotógrafos, diagramadores e outros técnicos) ;
- os atores da observação e da regulamentação da mídia (poderes públicos, organismos públicos, universidades, políticos eleitos, pesquisadores) ;
- os destinatários da informação, enquanto consumidores, usuários ou cidadãos.
4. Características A aliança internacional de jornalistas é uma iniciativa informal. Ela não pretende substituir-se às pessoas que dela participam, e tampouco falar em nome delas, mas, pelo contrário, permitir que cada um, por meio da ligação com os demais, possa afirmar melhor sua identidade e ser mais eficaz na promoção da responsabilidade social dos jornalistas. A aliança não pretende ser corporativista, mas federativa dos vários atores no ambiente da mídia. É uma iniciativa a longo prazo : não se trata de uma manifestação midiática de aspecto pontual, tipo campanha. Seus promotores e assinantes estão conscientes da importância das transformações que pretendem suscitar, e do tempo que poderia precisar para elas emergirem e se afirmarem em nível internacional.

Finalidade e Objetivos


Os promotores da iniciativa (ver “fundadores e garantes”) partilham da mesma convicção, de que os jornalistas e outros produtores de informação têm responsabilidade perante a sociedade. Eles devem exercê-la melhor e ter o poder de fazê-lo. Os promotores partilham também da convicção que as várias empresas da imprensa têm um impacto muito grande sobre o conjunto de nossas sociedades. Suas responsabilidades não se restringem às obrigações jurídicas e deveriam ser melhor exercitadas.

A carta atual, definindo os objetivos gerais da aliança internacional dos jornalistas, é um ponto de partida. A aliança quer ser uma iniciativa coerente para a mudança : da tomada de consciência à formulação das propostas, da partilha das experiências à formação mútua, da expressão coletiva à busca eventual de novos quadros jurídicos.

Os objetivos dos primeiros participantes da carta da aliança dos jornalistas são :
- realizar uma leitura crítica das práticas jornalísticas e dos procedimentos das empresas da imprensa em seu espaço regional ;
- reunir materiais relativos a possíveis alternativas, iniciativas inovadoras na assunção de sua responsabilidade por parte da imprensa ;
- difundir da forma mais ampla possível estes materiais, e sensibilizar o maior número possível de atores da informação, sobre a importância dessas práticas e seus modelos possíveis ;
- suscitar a atenção, e se possível a adesão, das empresas sobre estes procedimentos ;
- suscitar a atenção, e se possível a adesão, dos usuários e consumidores de informações ;
- promover programas de informação e educação sobre os modelos de produção da informação e o funcionamento das empresas de imprensa que participam dessas preocupações a respeito da responsabilidade ;
- etc.

Regras e funcionamento

O funcionamento da aliança de jornalistas é baseado no respeito, por parte de todos, dos princípios éticos comuns. A inscrição na aliança não requer nenhum procedimento oficial e nem qualquer assinatura ; basta comunicar seus dados para ser incluído na iniciativa. A seguir, os aliados são qualificados de participantes.
- Qualquer pessoa é qualificada como participantes na medida em que está engajada na obra comum. Ela aceita perder tal qualificação quando terminar o engajamento.
- Qualquer participante proíbe-se reivindicar a paternidade da iniciativa comum e obriga-se, em sua ação, a mencionar seu caráter coletivo.
- Qualquer participante compromete-se em buscar a coerência entre seus comportamentos e práticas profissionais, e os princípios enunciados na carta da aliança internacional dos jornalistas.
- Os participantes comprometem-se em partilhar suas experiências com os demais, e esforçar-se para tornar a aliança um espaço de interação dos conhecimentos, dos lugares e das iniciativas.
- Os participantes assumem a responsabilidade de fazer a aliança viver, mantendo a ligação com os demais participantes, dando visibilidade à idéia, difundindo seus trabalhos, e participando da elaboração de propostas.
- Os participantes respeitam a diversidade dos pontos de vista e das convicções expressas dentro da aliança, buscando ao mesmo tempo perspectivas comuns.
- Os participantes comprometem-se em fazer da aliança dos jornalistas um espaço aberto, acolhedor para os demais, promovendo uma cultura de paz e de cooperação.
- Os participantes respeitam os mecanismos de trabalho adotados em comum e os prazos comuns. Cada coordenador regional reserva-se o direito, depois de consultar o grupo ativo de seu pólo, de anular a inscrição de qualquer pessoa cujos atos, afirmações ou reflexões sejam contrárias aos princípios e às regras enunciadas nesta carta. Da mesma forma, uma decisão comum da coordenação internacional pode ser adotada a respeito de qualquer participante ou animador regional que não respeitem estes mesmos princípios.

1. Os fundadores A aliança internacional de jornalistas nasceu no seio da Fondation Charles Léopold Mayer pour le progrès de l’Homme, por iniciativa de Pierre Calame, seguido por Manola Gardez, que foi a instigadora operacional. São estas duas pessoas que originaram a iniciativa, e são elas que estabeleceram o espírito e o rumo inicial.

2. Os garantes As funções dos garantes são : garantir o espírito e a ética da aliança ; manter as atividades na linha das orientações ; garantir o respeito das regras e, portanto, gerir os conflitos sobre os quais eles detêm, em última instancia e em caso de divergências graves, a palavra final ; representar a instância ativa e operacional da aliança. O grupo de garantes é composto pela coordenadora geral, Manola Gardez, e pelos animadores da aliança : Nathalie Dollé, Isis de Palma, Siddhartha e Bertrand Verfaillie. O grupo de animadores poderá ser ampliado para convidados.

Os mecanismos de trabalho

A aliança internacional de jornalistas não tem identidade jurídica. Ela não é propriedade de ninguém, mas pretende estar a serviço de todos, conforme os princípios éticos de funcionamento, coerentemente com os objetivos prescritos.

1. A estrutura da atividade A aliança internacional de jornalistas está organizada em grande pólos regionais de atividade. Cada um está articulado com prioridades temáticas definidas a cada começo de ano pelo grupo dos participantes locais facilitados pelo animador regional. Tais temáticas são identificadas em função das prioridades regionais conforme o contexto social, político e econômico da profissão, e de como a sociedade enxerga e avalia a profissão. Cada pólo decide individualmente sobre seu funcionamento e suas atividades, independente dos demais pólos. Portanto, haverá animadores escolhendo o desenvolvimento quantitativo como prioridade, e outros concentrando seus esforços na concretização de iniciativas, envolvendo atores anteriormente identificados.

2. Os participantes Em cada pólo, encontram-se participantes ativos e participantes menos operacionais, acompanhando as iniciativas de forma mais distante. Os participantes mais ativos encontram-se nas ocasiões das reuniões locais, dividem entre si a representação da aliança regional nos eventos considerados pertinentes, realizam pesquisas para o uso coletivo, publicam matérias para o site web da aliança ou sites afiliados, partilham seus trabalhos jornalísticos, alimentam as reflexões e a elaboração de documentos, contribuem à realização de iniciativas decididas coletivamente, contribuem para a formação, etc. De modo geral, sejam participantes ativos, participantes pontuais e temporários, ou simples simpatizantes, todos os participantes aceitam os princípios e as regras enunciadas acima. Convidamos todos e todas a garantir a promoção da iniciativa.

3. A coordenação geral e internacional O conjunto das atividades da aliança internacional de jornalistas e sua articulação internacional é garantida pela coordenadora geral, a única assalariada em tempo integral dentro da aliança. Pelo menos uma vez por ano, ela reúne os animadores dos vários pólos para compartilharem suas ações e reflexões, para trocarem informações sobre balanços e perspectivas, para relançar a coordenação entre as regiões.

4. O Conselho O Conselho é uma entidade informal composta por personalidades qualificadas e/ou grupos convidados pelos ‘garantes’ da aliança, sem limite de número. O Conselho, reunindo-se duas vezes por ano, terá uma função de apoio, de acompanhamento, de parecer, de orientação, e de guia no desenvolvimento da nossa dinâmica. Os membros do Conselho, concebido para acolher pessoas que não teriam a possibilidade de engajar-se ativamente na aliança, serão convidados a acompanhar os trabalhos, a responder aos pedidos de consulta, a participar dos debates de fundo, e a favorecer a ligação com suas próprias conexões. O Conselho foi criado, portanto, para levar adiante uma reflexão sobre a estratégia global da aliança internacional de jornalistas.

5. A comunicação interna e externa da aliança a) Cada pólo escolhe seu próprio sistema de comunicação interna. Habitualmente, constitui-se um mailing list de difusão para uma circulação completa da informação. Todos os inscritos nessas listas são considerados participantes da aliança. b) O site web da aliança é ao mesmo tempo vitrine pública e estrutura central do trabalho, ponto de referência, estruturado − condição para a união −, mas alimentado de forma descentralizada − condição para a autonomia das iniciativas e do pluralismo de opiniões −. Cada participante alimenta o site, assumindo a responsabilidade sobre a veracidade e a qualidade das informações fornecidas. As informações, experiências e propostas no site podem ser descarregadas e publicadas sem restrição, sob a condição de não publicar informações truncadas, omitindo a fonte, e respeitando o princípio de boa fé extrapolando as informações de seu contexto. c) Em qualquer momento, pela iniciativa de qualquer um dos signatários, pode se formar um grupo de trabalho para explorar o patrimônio de informações, experiências, reflexões e propostas acumuladas sobre qualquer tema, numa região específica ou num ambiente específico. Iniciativas deste tipo são publicadas no site, com um convite a participar estendido a todos os signatários cujas experiências e reflexões são aproveitadas dessa forma. Os resultados da reflexão coletiva desses grupos de trabalho serão publicados no site.

6. Os garantes da linha editorial da web Os ‘garantes web’ são responsáveis pela comunicação pública pela internet da aliança internacional de jornalistas, e gerem o conteúdo dos sites. São eles : Manola Gardez : coordenadora geral, Natalia Massa : webmaster da aliança internacional de jornalistas, Nathalie Dollé : animadora Europa, Anne Dhoquois : presidente da associação Place Publique, Philippe Merlant : membro da Place Publique, Isis de Palma : animadora Brasil, Siddhartha : animador Índia.



Os patrocinadores

A atividade duradoura de uma dinâmica internacional deste tipo carece de muitos recursos financeiros. Atualmente, eles procedem unicamente da Fondation Charles Léopold Mayer pour le progrès de l’Homme. No futuro, porém, as fontes de financiamento poderão diversificar-se de duas formas : − patrocinadores ocasionais, que decidam sustentar uma ação ou uma iniciativa específica, no contexto de um pólo regional da aliança, sem outras implicações a respeito de sua atividade ; − patrocinadores estratégicos, partilhando a visão da aliança, fornecendo um aporte financeiro duradouro, envolvendo suas instituições na dinâmica da aliança. Os patrocinadores podem ser públicos ou particulares. No caso do patrocinador ser uma empresa de mídia, a deontologia requer a não-ingerência da empresa no trabalho financiado e exclui qualquer pressão sobre as atividades da aliança. O apoio financeiro por parte da mídia só pode ser proposto e aceito na perspectiva de contribuir à evolução das práticas da profissão de jornalista.



A agenda de trabalho

As ações programadas e as agendas são fixadas coletivamente em ocasião da reunião dos coordenadores internacionais a cada começo do ano. Os planos de ação e os programas de trabalho são então afixados no site da aliança para uma consulta pública.

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