Encontro sul-americano discute a responsabilidade humanapor Suzie Marra
dezembro 2006
O II Encontro Regional Sul-americano da Carta das Responsabilidades Humanas dividiu-se em duas etapas: a primeira em São Paulo, capital, na sede do Instituto Ágora e IPAZ - Agência Internacional de Comunicação pela Paz, para apresentação e exposição de painéis, relatos e discussões dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos no Peru, Chile, Colômbia, Argentina e Brasil. A segunda, realizada em Parati, procurou aprofundar com os representantes desses países as discussões a partir da apresentação dos painéis em torno dos temas mais relevantes, de caráter comum e específico de cada país - para concepção de um projeto unificado que formalizou uma proposição sul-americana para o Comitê Internacional da CRH, incluindo propostas de atividades integradas. Pesquisa sobre Responsabilidade A diretora do Centro de Pesquisa Motivacional (COM) e da IPAZ - Agência Internacional de Comunicação pela Paz, Oriana White, apresentou a primeira etapa de uma pesquisa realizada para o comitê de difusão da Carta no Brasil feita com grupos sócio-profissionais distintos, sobre o significado do conceito de RESPONSABILIDADE no Brasil. (http://allies.alliance21.org/charte...) O termo ’ RESPONSABILIDADE’ - seu conceito, implicação e aplicativos - é totalmente inédito como tema de influência cultural e interferência individual na sociedade mundial. Isso quer dizer que existe um processo a caminho, para que a acepção da responsabilidade esteja presente, seja absorvida e faça parte da consciência coletiva. Nesse sentido é que a Carta das Responsabilidades Humanas poderá ser legitimada como o terceiro pilar da vida internacional - ao lado da Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos Para tanto, o presidente da ONU, Kofi Annan, solicitou aos países membros, que iniciassem uma discussão ampla a respeito do termo, com o propósito de obter subsídios para sua possível legitimação. Trata-se de discutir tal como foi concebida, a CRH de forma interativa, considerando as diversidades culturais, linguísticas, econômicas, políticas e geográficas. A CRH significa ir além dos temas de direitos humanos, paz e desenvolvimento, discutidos pelos dois pilares vigentes, pois diz respeito às relações humanas. Apresentação dos Painéis Foram evidenciados pelos participantes os pontos de confluência a serem trabalhados. Em linhas gerais, são eles: Política (governança x governabilidade); Comunicação (democratização da informação e dos meios de comunicação - legalização dos veículos comunitários como rádios e tvs; monopólio dos meios e veículos de comunicação; responsabilidades humana e social dos agentes comunicadores da mídia, em especial dos jornalistas); Recursos Naturais/Meio Ambiente ( soberania e segurança nacional; responsabilidades humana e social para com o meio); Comunidades (empoderamento com base na CRH - por atuação em projetos/ programas, alianças, parcerias; territórios). Os relatos e discussões que resultaram dos painéis apresentados culminaram em questões comuns a todos os participantes que concluíram seja possível realizar uma tarefa comum de difusão da CRH, alicerçada pelas experiências vividas em cada um dos países que fizeram parte do Encontro. A Colômbia falou sobre a importância das Responsabilidades no cotidiano, com base nos trabalhos que vêm efetuando por meio de pactos cidadãos/ comunitários. Para Diego Escobar Diaz, membro do Comitê internacional de Difusão da CRH e dirigente do CINEP - Centro de Investigación y Educación, que coordena o projeto “quando se trabalha o indivíduo ele introjeta valores e desperta para a criatividade’. Em sua exposição, Diego ressaltou também, a importância do exercício da política de resultados para os projetos de desenvolvimento humano e social, afirmando, inclusive, ’ que a própria qualidade oferece os resultados numéricos’. Considerou, ainda, que ’os trabalhos com a CRH servem como pretexto para facilitar a ação cidadã”. Carlos Liberona, do Chile, propôs uma ’integração latino-americana’ com base em quatro 4 pilares; 1) Carta das Responsabilidades Humanas 2) Declaração dos Direitos Humanos 3) Carta das Nações Unidas 4) A Carta da Terra. Para ele, “o Encontro representou uma etapa de preparação onde é possível se criar e apoiar pequenas redes a fim de organizar iniciativas em vários setores, de direitos humanos a movimentos sociais, políticos e culturais”. Na área de cultura, o Chile apresentou um trabalho experimental, utilizando a CRH, chamado ’corredores culturais’, um projeto que abarca várias atividades e o seu organizador, Santiago Aguilar,que tem um trabalho com tv comunitária em Valparaíso, lançou a proposta de ampliá-lo com as contribuições dos países da América do Sul, como um modelo exemplar. Projetos & Articulações O Peru e o Chile formaram uma parceria na área de comunicação social cuja proposta é auxiliar a população com programas de direitos humanos em veículos de comunicação comunitária.O projeto para rádio já existe e quem está à frente é Elvis Mori, profissional que trabalha com redes municipais no Peru. O programa ’En deuda com los Derechos’ está no ar pela rádio Stereo Villa/ FM de Lima e, também, na internet http://www.vesperu.com.pe/stereo.html Elvis explica que com a integração de grupos e organizações de redes sociais transnacionais será possível ampliar o trabalho que vem sendo realizado junto à população dos municípios e zona rural no sentido de capacitar e estender o campo de atuação dos serviços em direitos humanos para o Meio Ambiente aos setores econômico, social e cultural. Segundo Mori, o encontro ofereceu a oportunidade de adquirir conhecimento e aprender com as experiências vividas no decorrer de processos com a CRH, o que deve fortalecer projetos em andamento. ’As redes sociais estão aí,elas já existem e foi aberta a possibilidade da integração de grupos e a organização de redes sociais que podem se apoiar’. Para Santiago, a experiência com comunicação social se dá por meio do trabalho em tv comunitária e, em programas no âmbito da cultura, educação e meio ambiente. ’ Uso o conceito da CRH para estabelecer e acrescentar aos trabalhos realizados nas organizações, grupos setoriais e, também, como elemento de integração’.Angela Pino, da Argentina, faz parte da Red Jovem Cone Sul da CRH, é antropóloga e professora de lingua portuguesa, na cidade de Córdoba.O trabalho com a CRH está se iniciando na Argentina e ela pretende ser porta-voz do Encontro, aplicando ao seu trabalho diário o conhecimento e experiências exitosas que conheceu na troca de experiências.Ela leciona para jovens de 15 a 17 anos, alunos do curso fundamental e garante que o aprendizado é mais eficaz quando se humaniza o ensinamento. ’ Uso a língua como um pretexto para passar através da sensibilização dos sentidos, o ensino da música, literatura, poesia e tudo o que possa valorizar e qualificar os alunos’. Dessa forma, afirma que ’gostaria de manter contato com os participantes do Encontro, pois muito me agradaria fazer uma aliança com uma professora ou escola para intercâmbio dessa proposta de trabalho com a CRH’. O chileno Hervi Lara trabalha com direitos humanos, justiça e reparação para as vítimas da tortura. Conta que ’a CRH promove a consciência da necessidade de previnir a tortura e impedir a impunidade dos violadores dos direitos humanos’. A escritora e cientista social da Bolívia,Virginia Allyon, expressou através do seu relato, a intensidade emocional de fazer parte de um povo que vivencia situações conflituosas geradas a partir do desrespeito à democratização inserida aos temas nacionais. Virginia fez um breve histórico e resumiu os feitos e efeitos do neoliberalismo e da indústria transnacional instalada no seu país sob a população, formada em sua maioria pelo povo indígena. Indagada sobre qual seriam as perspectivas de trabalhar com a CRH, respondeu que o respeito pelo interculturalismo é uma característica do povo e que a Carta poderia ajudar no processo de democratização do país, além de influir especialmente, nos assuntos de interesse nacional como recursos naturais, meio ambiente e comunicação social. Por outro lado, o Brasil apresentou o projeto dos Ministérios da Educação e Meio Ambiente – que gerou a Carta das Responsabilidades Infanto- juvenil ’Vamos cuidar do Brasil’ www.mec.gov.br/conferenciainfanto . Foram citadas as experiências do Instituto Ágora - em Defesa do Eleitor e da Democracia –sobre “responsabilidade pública”, da Rede Mundial de Artistas em Aliança e da J- Aliança -Aliança Internacional de Jornalistas www.ipaz.org/alianca. As coordenadoras do Núcleo Brasil do J-Aliança, Isis de Palma e Vera Salles apresentaram os trabalhos que vêm sendo realizados desde o seu lançamento em maio de 2005, no MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo/SP.Destacaram entre eles: formação de um grupo de colaboradores - jornalistas que constituem o corpo ativo e executivo do projeto; reuniões de estudos e grupos de reflexão da CHR; site nacional do J-Aliança; esboço de uma minuta da Carta de Responsabilidade dos Jornalistas; parceria com a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero para realização de oficinas com os alunos sobre a CRH e a criação de um pólo regional do J-Aliança em Sorocaba - interior do estado de São Paulo – coordenado pelo jornalista Hélio de Arruda e Miranda. Terminada a exposição dos jornalistas, os participantes sul-americanos compartilharam algumas questões conflitantes em seus países de origem que, também representam um ponto em comum, como o monopólio dos meios de comunicação de massa, a luta pela democratização da informação a liberdade de imprensa e a legalização das rádios comunitárias . A preocupação de todos foi, sobretudo, com o exercício profissional do jornalista diante de um cenário político-nacional e a responsabilidade desses profissionais que, muitas vezes, agem sob o domínio do medo e se sentem impotentes no cumprimento do dever de informar, investigar as causas e, exercer a profissão com base na verdade dos fatos - sem privilegiar interesses próprios, privados ou institucionais. navigation dans Artigos dos colaboradores :
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